O Facebook e a Privacidade dos seus dados

O Facebook e a Privacidade dos seus dados

Com o recente escândalo das empresas que dão um uso abusivo aos dados dos utilizadores do Facebook, volta a falar-se de privacidade.

Mas apontar o dedo ao Facebook é não só errado como irresponsável, porque não é ele o culpado. Temos que pegar nesse mesmo dedo e colocá-lo na ferida e assumir que a culpa é dos utilizadores.

Explicando…

Quando falamos do uso dos nossos dados pessoais no Facebook existem, efetivamente, 4 atores envolvidos: os utilizadores, os criadores de aplicações, os anunciantes, e o Facebook (que coloca as outras 3 partes em contacto).

Dizer que o Facebook é o culpado por haver abusos na utilização dos dados dos utilizadores é como culpar uma operadora telefónica por um cliente assediar outro por telefone. Não faz sentido e afasta a discussão dos verdadeiros responsáveis.

 

Então, afinal, quando usamos o Facebook, o que acontece aos nossos dados?

Bem, em primeiro lugar, tudo o que colocamos sobre nós nas redes sociais é da nossa exclusiva responsabilidade. Ninguém nos obriga a publicar nada nem a contar nada a ninguém.

No entanto, nas redes sociais fazemos coisas que nunca faríamos na vida “real”. Nunca nos meteríamos em conversas de outras pessoas na rua, nunca pegaríamos no telefone para contar a todos os nossos amigos o que almoçámos, nunca iríamos para a janela gritar que vamos deixar a casa vazia durante as férias, nunca iríamos para a esplanada distribuir fotografias dos nossos filhos em biquini. Contudo, tudo isso e muito mais fazemos nas redes sociais as quais, por definição, são “sociais”, logo, públicas, abertas, comunitárias.

Assim, tudo o que lá colocamos, todas as informações sobre nós e a nossa vida, deixa de nos pertencer para sempre no momento em que as publicamos, e passa a pertencer à comunidade a qual, realisticamente, não abrange apenas os nossos amigos, mas todo o planeta.

Agora, se nos limitarmos a publicar informação no Facebook em si, só 2 classes de intervenientes têm acesso às nossas informações: os outros utilizadores (amigos, amigos de amigos); os anunciantes do Facebook. Mas, ao contrário do que se possa pensar, os anunciantes não têm realmente acesso aos nossos dados, apenas podem dizer ao Facebook que só querem que um anúncio apareça a utilizadores com certas caraterísticas ou interesses, mas é apenas num só sentido, ou seja, os anunciantes estabelecem os “filtros”, mas não recebem de volta informação dos utilizadores. E é aí também que termina a responsabilidade do Facebook na gestão dos nossos dados.

 

Então como é que se fala de dados que foram parar a empresas de “profiling“, empresas que tiveram acesso aos dados de milhões de utlizadores? Quem lhes deu esses dados?

Como já respondido no ínicio deste artigo, a resposta é simples: os próprios utilizadores. Mas como?

O Facebook, para além de servir como rede social, tem outras 2 valências de que os utilizadores usam e abusam sem sequer pensarem nas consequências.

Aplicações

Primeiro, as “aplicações” dentro do Facebook. De cada vez que jogam um jogo no Facebook, ou que “instalam” uma aplicação no Facebook estão a determinar que os criadores dessa aplicação terão acesso aos vossos dados no Facebook, os quais podem ser os dados privados, a vossa lista de amigos, os vossos gostos, as vossas fotos, etc. Quando estão mortinhos para saber o que “significa” o vosso nome, com que “celebridade” se parecem, qual o vosso emprego numa “vida passada”, e dão autorização a que essas aplicações tenham acesso aos vossos dados, quem está a clicar no botão? É o Facebook ou são vocês? Quando autorizam uma dessas aplicações, o Facebook cumpre o seu papel de guardião dos dados e informa-vos quais os dados que estão prestes a fornecer a essas entidades. Quando o fazem, páram para pensar se estão dispostos a fornecer esses dados, ou dão e pronto? É que tanto podem estar a dá-los a uma empresa legítima com sentido de ética, como a um mafioso que, de imediato, irá vender os vossos dados a terceiros.

Login

Segundo, o Facebook permite que qualquer website utilize o Facebook para que o utilizador faça “login” nesse site. Quem nunca entrou num site com o utilizador do Facebook em vez de se dar ao trabalho de perder 2 minutos no processo de registo? Ora, para poupar esses 2 minutos de trabalho, para não terem que guardar mais uma password, entram com os vossos dados de Facebook e, admirem-se, estão a fornecer aos donos desse site acesso aos vossos dados do Facebook. De novo, quem tomou a decisão de fornecer os vossos dados foram vocês, e não o Facebook. E nem essas empresas fizeram nada de ilegal pois perguntaram-vos se podiam ter acesso aos vossos dados e vocês disseram que sim.

 

Soluções

Agora, não estamos a escrever este artigo para procurar culpados, mas sim soluções.

Se não quer que os seus dados pessoais circulem pela Internet e manipulem a informação que lhe chega, lhe roubem a identidade, lhe façam chantagem, ou até lhe assaltem a casa, pondere a importância que dá à sua segurança e da sua família e leve a cabo alguns passos para mitigar estes riscos:

1º – Publique menos coisas online. É mesmo necessário dar a conhecer ao Mundo o que almoçou, onde passou a tarde, ou o que pensa sobre o Donald Trump? Todos fazemos mais ou menos as mesmas coisas. Você não será menos que os outros se não contar o que faz e o que pensa. Aproveite as experiências por elas próprias sem estar a pensar sobre como vai publicá-las. E se quer mesmo falar com alguém sobre as suas opiniões, faça-o pessoalmente num jantar com um grupo de amigos próximos, que é quem realmente está interessado nas suas opiniões, e não os seus 500 amigos de Facebook.

2º – Não publique nada que não estaria à vontade para contar ou mostrar a um desconhecido na rua. Ao publicar na Internet (mesmo que pense que está a limitar aos seus amigos), está a divulgar junto de estranhos. Não mostre fotografias dos seus filhos, não conte que não está em casa nem onde mora, não entre em conflitos de opinião com outras pessoas online. Você faria alguma destas coisas na rua?

3º – Não autorize as aplicações que lhe aparecem pela frente. Não sabe quem está por trás, nem o que vai acontecer aos seus dados. Precisa mesmo saber o que fez numa vida passada? Vá a um astrólogo. Quer saber com que celebridade se parece? Pesquise no Google. Não acredita em nada disso? Então porquê dar os seus dados pessoais em troca de uma brincadeira sem qualquer significado?

4º – Reveja as aplicações que têm acesso aos seus dados. No seu Facebook, vá a https://www.facebook.com/settings?tab=applications e reveja a lista de todos os sites/aplicações que aparecem, pois são aqueles a quem deu acesso aos seus dados. Se não for uma aplicação/site indispensável e de uma entidade credível no mercado, elimine-a da lista e não lhe volte a dar acesso. Já ficaram com alguns dados seus, mas pelo menos não ficarão com mais.

5º – Faça um registo e um login com password diferente para cada site em que se regista. Se precisar de usar um site que exija registo e lhe dê a hipótese de evitar esse registo entrando com o seu login do Facebook ou do Google, dispense essa “facilidade” e perca 2 minutos a registar-se com o seu e-mail e criando uma password própria para esse site. Assim, garante duas coisas: que esse site não vai aceder a nenhuns dados seus nessas redes, e que se o dono do site não tiver ética, não vai conseguir usar a sua password para entrar no seu e-mail ou noutros sites em que se registou. Se achar difícil gerir todas as passwords dos sites em que se regista, use um gestor de passwords como, por exemplo, https://keepass.info/download.html

6º – Em caso de dúvida, diga não. Sempre que lhe surgir uma janela pedindo os seus dados do Facebook ou do Google, se não tiver certeza de onde vem essa janela, ou de a quem estará a dar os seus dados, diga não! Não se preocupe, pois se precisar mesmo de entrar nesse site vai voltar a ter oportunidade de o fazer, mas de forma consciente.

Tome conta dos seus dados. Tome conta de si!

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